Como, enfim, consegui trabalhar com UX

Relato dos meus primeiros passos como uma Designer recém formada.
Me formei, mãe. E agora?!

Muitas pessoas me perguntam como comecei a trabalhar com UX: o que eu fiz, como fiz, quando fiz, onde fiz, entre outros questionamentos.

Costumo dizer que não perco a oportunidade de escrever “textão”, então, assim que vi a oportunidade de falar sobre essa parte da minha vida, (apesar da timidez), corri para cá e pensei que poderia contribuir de alguma forma com a trajetória da pessoa que está lendo.

Mas, para que eu consiga contar um pouco sobre como foi a realização até chegar ao meu objetivo, preciso voltar alguns anos atrás, mais precisamente enquanto eu ainda era estudante universitária e, posteriormente, recém-formada.
Então… eis-me aqui. Espero que gostem!

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Minha versão mini, na foto de Formatura do ABC. Nessa época eu já amava desenhar e observar as pessoas.

A tríade da descoberta

Fase 1

O curso de Design da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) é totalmente focado na concepção de produtos físicos.

Até então, pelo que lembro, o curso oferta quatro disciplinas as quais envolvem a área digital e uma delas se chama Empreendedorismo, que é onde basicamente nós estudamos o desenvolvimento de aplicativos, assim como, os concebemos.

Nesse tempo eu já sabia que era uma área interessante e que ali eu poderia encontrar várias oportunidades principalmente quando percebi que a chance de “dar vida” ao meu produto era 100% mais provável que “dar vida”, por exemplo, a uma cadeira, um espremedor de laranja ou um carro. Foi isso que me encantou no primeiro momento.

Sendo um produto digital, pude notar que eu poderia fazê-lo sem muita burocracia e de forma mais rápida (em comparação ao produto físico, claro); eu poderia fazer com que as pessoas usassem, e até mesmo poderia vê-las usando em um curto espaço de tempo. No entanto, por vários motivos pessoais, parei os estudos nessa área.

Fase 2

No final de 2019 concluí minha formação em Design e após as solenidades da Colação de Grau, comecei com o típico questionamento de aluna recém-formada: “Caramba! E agora? O que vou fazer?”.

Recém-formada, no dia da Colação, jurando que iria trabalhar como UX Designer na primeira oportunidade de emprego.

Nas primeiras semanas decidi concentrar-me na organização do portfólio e currículo e, enquanto focava nisso, alguns amigos da universidade (que já tinham feito projeto comigo) sugeriram que eu enviasse meus dados para algumas empresas de inovação, tecnologia e outsourcing aqui da minha cidade.

Entretanto, antes de encaminhar meus documentos, visitei a corporação que eu tinha o desejo de trabalhar, mesmo sem saber se iriam me aceitar ou não. Posso afirmar que essa foi umas das melhores decisões que assumi na vida, pois, durante essa visita, tive a oportunidade de conversar com algumas pessoas que trabalhavam lá e passei a entender a dinâmica da empresa. Além disso, tive um breve papo com Thiago Xavier (UI/UX Designer), e foi nesse momento que fui apresentada pela primeira vez ao termo UI/UX.

Eu já havia estudado aquilo, como falei anteriormente, mas não sabia que os ambientes corporativos utilizavam essa denominação.

Apesar de querer muito, eu sentia que ainda não estava andando de mãos dadas com essa área do Design, tanto que, assim que terminei o curso, meu primeiro emprego na área foi em uma agência de marketing e publicidade.

Nessa agência pude aprender e compartilhar o meu conhecimento, mas houve um momento icônico o qual me recordo muito bem: meu antigo chefe pediu para que eu resolvesse alguns problemas em um site e falava que o cliente estava reclamando por não conseguir encontrar a aba do seu site, alegando que o bendito favicon estava “escondido demais” (eu sequer sabia o que era favicon! hahaha)… Naquele instante pensei: “Meu Deus! Como que resolvo isso?”.

Nesse dia, chegando em casa, corri no Google para encontrar respostas sobre como eu poderia resolver os problemas no site e o “problema no favicon” e foi nesse momento que reativei a vontade de estudar essa área e passei a investir novamente em cursos na Udemy e na Domestika, já que há meses eu não estudava essa temática. Também nessa época passei a seguir no Instagram os perfis que mais me atraíam: UX Unicórnio (Leandro Rezende mais tarde viria a ser meu primeiro professor nessa nova aventura), Nina Talks (Karina Tronkos). No youtube, Daniel Furtado (do canal UXNow), Rodrigo Lemes (do canal Design Team) e Amyris Fernandez (do canal UX Change). No Linkedin, Isabella Barbosa, Fabricio Teixeira e Huxley Dias e, pelo whatsapp, minha amiga Raysa Marcelino e meu amigo Bruno Lucena.

Fase 3

Nos meses seguintes tive de sair da agência e fui para outro emprego onde minha principal função era elaborar banners para o Instagram, tirar fotografias dos produtos e atualizar o site de uma loja que trabalha no ramo de artigos para casa, presentes e decorações.

Neste emprego, eu pude trabalhar diretamente e indiretamente com os clientes, mas foi ao lidar com o site da loja que senti o quão necessário é conhecer profundamente cada usuário que existe por trás da tela do computador, bem como a maneira que essas pessoas fazem uso de todas as funcionalidades presentes no site.

Foi quando entendi também que era necessário oferecer ótimas experiências de navegação e não menos importante, ótimas experiências ao conhecer a loja, ao conhecer os produtos, como eles são ofertados e, enfim, promover uma venda descomplicada e consciente.

Acredito que nesse momento o UX já fazia parte do meu propósito como profissional: eu queria porque queria levar em consideração o sentimento dos usuários em meus trabalhos.

Mesmo me dedicando e gostando daquilo que fazia, sentia que o assunto UX/UI continuava a permear na minha cabeça… Algo me dizia para continuar investindo e buscando mais conhecimento, mesmo que aos poucos, dado ao fato de que, quase sempre, eu chegava cansada em casa e só pensava em dormir.

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Observe 2020: A primeira conferência brasileira com conteúdos exclusivos sobre UX Research e que foi 100% online! #EuFui #EuTava

Oficialmente o início da minha jornada

Em Março de 2020 foram decretadas as medidas de distanciamento e isolamento devido à pandemia do Coronavírus e por esse motivo eu passei a fazer home office.

Notei que apesar do home office consumir um pouco do meu tempo, eu não podia perder a oportunidade de estar em casa e investir em cursos que iriam me ajudar a crescer intelectualmente e profissionalmente.

A partir desse pensamento, adquiri meu primeiro livro sobre a temática: 101 UX Principles: A definitive design guide (do autor Will Grant).
Algumas semanas depois, Leandro Rezende começou com a 2° Maratona do UX, que é uma semana de aulas gratuitas onde ele aborda vários temas que vão desde “O que UX Design?”, passando por “os maiores erros dos UX designers” e até mesmo lançando um desafio real e encorajando os alunos a criarem possíveis soluções para esse problema.

Quando a semana acabou, conversei com algumas pessoas que poderiam me ajudar a investir nesse curso e, enfim, consegui minha inscrição e sou aluna até o atual momento.

De forma bastante resumida, o que me fez querer ingressar na área de UX/UI, primeiramente foi não querer abandonar o Design: por mais que seja um campo meio complicadinho de encontrar empresas que valorizam o profissional, eu não queria me dar por vencida.

Posteriormente, a autonomia de saber que poderia colocar o meu produto nas mãos das pessoas, através de uma forma mais rápida e menos burocrática, como já foi dito.

O outro ponto, não menos importante, era a minha vontade de trabalhar com contextos, resultados e métricas. Queria muito de desmistificar o Design como “Ah é só ficar bonito e tá feito”. Vejo o “bonito”, nessa área, como sendo a boa consequência em interfaces que foram criadas baseadas em dados, números, pesquisas e resultados concretos.

Às vezes vemos uma tela bonita e não sabemos os motivos… os motivos são baseados justamente em todo o estudo que se encontra por trás daquilo que está diante de nós.

Onde estou e como foi

Há alguns meses, meu atual líder (Rodrigo Esmeraldo) entrou em contato comigo através do Linkedin e me fez algumas breves perguntas.

Iniciou a conversa com “Como você está?” e seguiu para “Amanda, sou líder do time de UX na Brisanet Telecomunicações e em breve iremos abrir vagas para UX/UI designers. Você tem portfólio?”. Pois bem, falei a verdade: “Não tenho, mas estou em busca disso”, (claro que respondi da forma mais formal possível).

A conversa seguiu adiante, até que outra pergunta relativamente complexa foi feita. Algo como “O que te fez ir para a área de UX? E quais são seus objetivos como uma profissional de UX?”.

Falei, falei, falei, mas eu queria preparar vocês para o grand finale!

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Registrei esse momento logo após ter gravado um vídeo de dois minutos para o canal do UX Unicórnio.

Agora no mês de Janeiro faz seis meses (& contando) que estou imersa e trabalhando com aquilo que amo: Design. E sendo mais específica: trabalhando com UX Design (apesar de navegar bastante na área de CX).

Posso declarar que venho me sentindo extremamente realizada por estar inserida nesse meio e, cada vez mais sinto que consigo disseminar a cultura de Design e UX dentro de uma empresa que está há mais de 20 anos no mercado e que é a líder em satisfação, de acordo com a Anatel. E… caramba! Todo dia é “eita, atrás de eita”, desafios em cima de desafios e, quando chega o final da semana, só consigo pensar: venho evoluindo como pessoa e como profissional!

O que estou aprendendo até agora?

Bom… Muita coisa está acontecendo e minha aventura está apenas começando, mas um professor da Universidade, certo dia em uma troca de e-mails, me deu um conselho que sigo quase que fielmente: “Mude sempre! Depois de um certo tempo a gente fica meio ‘apamonhado’ em um só lugar e isso não é nada bom, muito embora a maioria das pessoas ache que estabilidade na vida é tudo”. Professor Glielson, te agradeço o conselho. Estou aqui hoje e você faz parte disso.

A mudança começou quando eu me permiti aprender novos caminhos e crescer no tempo certo.

Chegando ao fim desse relato, sei que ainda tenho muito o que aprender e desenvolver, mas já posso compartilhar algumas coisas com vocês:

- Antes de tudo: não se desespere. O desespero é o tipo de sentimento que nos faz acatar qualquer ordem e sairmos fazendo uma porção de coisas sem pensar direito.

- Duvidamos da mudança, pois ela é difícil e questionável. Mas não tenha medo. Quando bem planejada e construída, a chance de funcionar no final é de 99%.

- Eu gostaria de ser a rainha dos networking (risos), mas com uma simples troca de conversas e demonstração de interesse, posso ter conseguido uma grande contribuição ao que viria ser meu futuro trabalho.

- Saiba que antes do profissional de UX, das ferramentas, técnicas e metodologias existentes, você é uma pessoa. Desenvolva seu lado humano, sua empatia e alteridade, para que, posteriormente, você saiba lidar com pessoas reais.

- Use a internet (e principalmente o linkedin) ao seu favor. Você vai descobrir quem são as pessoas que você quer ser e vai se espelhar nelas. Demonstre interesse e humildade em aprender com elas.

- Pergunte muito. Toda criança tem a fase do “Por que?” ou “O que é isso?”. Nunca e jamais faça com que essa fase acabe, afinal, sabemos que são as perguntas que movem o mundo.

- O óbvio: estude e leia muito. No meu caso, eu optei por investir em alguns livros, pois vi que ali eu me sentia mais realizada. E por passar o dia na frente do computador, posso notar que através do livro em mãos, eu consigo fugir um pouco do mundo virtual.

- Participe de encontros, workshops, treinamentos etc. Por estarmos em um contexto de pandemia, indico procurar encontros e aulas através das vídeo-chamadas. A questão aqui é trocar ideias!

- Compartilhe e sempre que possível explane seus conhecimentos.
Leandro Rezende fala muito sobre isso. Enquanto professor, ele acaba aprendendo mais quando ensina.
De acordo com a Teoria da Pirâmide de Aprendizado de William Glasser, temos que: 10% do conteúdo é aprendido quando lemos; 20% do conteúdo é assimilado quando escutamos; 30% é aprendido quando assistimos/observamos algo; 50% é assimilado quando combinamos escuta e observação; 70% é aprendido quando discutimos, conversamos, perguntamos e debatemos o tema e 95% do conhecimento é aprendido quando temos que ensinar alguém, explicando, resumindo, definindo e estruturando o conhecimento.

Compartilhe e sempre que possível explane seus conhecimentos.

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Minha primeira vez visitando a sede da empresa que fica em Pereiro/Ceará.

Ufa! Chegamos ao final (do texto, hein?). Se você chegou até aqui, te agradeço imensamente!

Sigo estudando, aprendendo e disseminando meus conhecimentos e, venho pensando na possibilidade de uma Pós e quem sabe um Mestrado, né?
Hoje continuo estudando, lendo artigos e acompanhando pessoas que me inspiram, ao passo que enfrento diariamente novos projetos e desafios dentro da empresa. Em conjunto com tudo isso, procuro melhorar e/ou desenvolver técnicas, metodologias e ferramentas.

Sem me pressionar, apesar de ser uma criatura bem ansiosa e nervosa (risos), eu sei que tudo isso são ajustes e novos aprendizados; são coisas que também estão em constante mudança, melhorias e atualizações.

Pretendo trazer novidades sempre que possível para compartilhar com vocês. Muito obrigada e sucesso para nós! ♥

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Um dos livros que adquiri nessa jornada, Value Proposition Design. Indicação de uma das pessoas mais queridas: Daniel Furtado, do canal UX Now.

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